O Refúgio do Humaitá nasceu em 2020, durante a pandemia. Naquele momento, ainda não existia um plano de criar uma marca ou transformar a criação de aves em um negócio. Era, antes de tudo, um projeto familiar.
Nossa família já vivia no sítio e os animais sempre fizeram parte da nossa vida. Meu pai gostava especialmente deles e participou desse começo. Foi nesse ambiente que resolvemos comprar uma chocadeira e fazer nossa primeira experiência com ovos para chocar.
Nossa primeira grande experiência foi com aproximadamente 130 ovos para chocar, comprados de um criatório que considerávamos uma boa referência.
A expectativa era enorme. Colocamos os ovos na chocadeira e esperamos pelo nascimento. No final, nasceram apenas cerca de 15 pintinhos.
Naquele momento veio a frustração. Ainda tínhamos pouca experiência e não sabíamos exatamente o que havia acontecido. Com o tempo, estudando e repetindo o processo, começamos a entender melhor a diferença entre fertilidade e eclosão, os efeitos do transporte, as condições de incubação e todos os fatores que podem interferir no resultado.
Foi uma experiência ruim, mas que acabou ajudando a definir uma das características mais importantes do Refúgio: não esconder de quem compra os riscos que nós mesmos já enfrentamos como compradores.
O começo esteve longe de ser perfeito. Compramos nossas primeiras raças, tivemos experiências boas e ruins e chegamos até a cair em golpe com anúncios de aves e ovos que não existiam.
Os primeiros pintinhos foram criados em um quartinho. Uma estufa antiga que existia no sítio acabou sendo adaptada e transformada em nosso primeiro galinheiro. Depois vieram as primeiras baias, novos galinheiros e novas espécies.
Algumas criações deram certo e permaneceram. Outras foram testadas e acabamos deixando de criar. Cada etapa trouxe um pouco mais de conhecimento sobre manejo, reprodução, seleção, incubação e também sobre como escolher outros criadores e buscar genética para o plantel.
Aos poucos, aquilo que havia começado como uma experiência familiar foi crescendo. Vieram novas raças, mais instalações, seleção dos nossos próprios grupos reprodutivos e muitos ciclos de nascimento e criação.
Mais do que simplesmente aumentar o número de aves, começamos a construir um plantel com raças, cores e características muito diferentes, incluindo galinhas ornamentais, poedeiras e aves de grande porte, além de perus, pavões, faisões, marrecos, codornas e galinhas-d'angola.
Também desenvolvemos ao longo dos anos nossos próprios trabalhos de seleção e cruzamento, sempre observando na prática quais características queremos preservar ou desenvolver nas próximas gerações.
Meu pai participou do começo dessa história e do período em que o Refúgio começou a tomar forma. Depois de seu falecimento, em 2023, as aves e o próprio sítio passaram a carregar também uma ligação muito especial com a memória da nossa família.
Com o tempo, minha mãe, Sônia, assumiu cada vez mais a rotina do Refúgio. Hoje ela participa diretamente do cuidado diário, da produção e também dos conteúdos que mostram nossa criação nas redes sociais.
Quem acompanha o Refúgio pela internet acaba conhecendo não apenas nossas aves, mas um pouco dessa rotina real — com nascimentos, aprendizados, dificuldades, novidades e histórias que acontecem todos os dias no sítio.
Porque já estivemos do outro lado.
Já compramos ovos esperando um resultado que não aconteceu. Já tivemos dúvidas sobre fertilidade. Já erramos na incubação. Já aprendemos que um ovo pode ser fértil e ainda assim não resultar em nascimento. E aprendemos também que transportar um organismo vivo em desenvolvimento envolve riscos que ninguém deveria esconder.
Por isso, preferimos explicar claramente como funciona a compra de ovos para chocar, quais são os riscos e o que está ou não sob nosso controle.
Para nós, é melhor que alguém compre sabendo exatamente como o processo funciona do que realizar uma venda baseada em uma expectativa que não podemos garantir.
Hoje, o propósito do Refúgio do Humaitá vai além da comercialização de aves e ovos para chocar.
Queremos manter uma criação responsável e sustentável, preservar diferentes raças e características, distribuir genética entre criadores e compartilhar o que aprendemos na prática.
Isso também significa continuar aprendendo. A criação de aves envolve genética, manejo, ambiente e biologia, e sempre haverá algo novo para observar e melhorar.
Transparência: explicar com clareza como funciona o processo, inclusive seus riscos.
Verdade acima da venda: não prometer resultados que dependem de fatores que não conseguimos controlar.
Bem-estar: as aves e o cuidado com elas são a origem de todo o projeto.
Preservação: manter e desenvolver diferentes raças, cores e características para as próximas gerações.
Aprendizado: compartilhar conhecimento construído na prática, inclusive aquilo que aprendemos com nossos próprios erros.
Relações duradouras: queremos que quem começa comprando ovos possa continuar conosco ao longo da evolução da sua própria criação.
O que começou com uma chocadeira, cerca de 130 ovos e muita expectativa se transformou em um projeto que hoje reúne nossa família, nossas aves e uma comunidade de pessoas interessadas em criação.
Continuamos aprendendo, selecionando, criando e compartilhando essa experiência todos os dias.
Esse é o Refúgio do Humaitá.